A Meta apresentou em junho de 2026, durante o Cannes Lions e o evento Conversations, uma série de ferramentas que transferem o peso da gestão manual para a IA:
- Meta Business Agent: Lançado para automatizar o atendimento e as vendas via WhatsApp, Messenger e Instagram. A IA agora pode responder a dúvidas de clientes que chegam pelos anúncios, recomendar produtos e apoiar o processo de vendas de forma nativa.
- Brand Memory (Memória de Marca): A inteligência artificial do Gerenciador de Anúncios agora consegue aprender a identidade visual e o tom de voz da sua marca a partir de campanhas anteriores, gerando variações de peças publicitárias em escala sem perder a consistência da comunicação.
- Vantagem+ (Advantage+) para todos: O limite de conversões exigido para usar campanhas Advantage+ Shopping caiu de 50 para 25 por semana, abrindo as portas da automação para e-commerces menores. Além disso, as rotas manuais antigas do Advantage+ foram descontinuadas em maio de 2026.
2. A Nova Realidade das Métricas e Atribuição
A forma como a Meta conta os resultados mudou drasticamente a partir de março de 2026, o que causou confusão inicial, mas traz mais clareza para a jornada de compra:
- Apenas cliques reais: A “Atribuição de clique” (Click-through) agora contabiliza estritamente os cliques que levam a um link externo.
- Engage-through Attribution: Interações que não são cliques no link (como assistir a um vídeo, expandir o anúncio ou curtir) e que resultam em uma conversão futura foram separadas nesta nova métrica.
- A métrica “Views”: Em uma mudança conceitual importante, a Meta unificou as antigas métricas separadas de “Impressões” (exibições na tela) e “Reproduções” (para vídeos) em uma métrica unificada chamada Views.
3. Novos Canais e Formatos de Entrega
Se a concorrência está alta no feed tradicional do Instagram e Facebook, a Meta abriu novas frentes com menor custo por impressão para os primeiros a adotarem:
- Anúncios no Threads: O Threads foi globalmente aberto para anúncios via API em 2026. Marcas podem usar suas contas do Instagram ou Facebook para rodar campanhas de Carrossel, Catálogo (Advantage+) e App (Advantage+) no Threads.
- Reels Compráveis Turbinados: Criadores e marcas no Instagram agora podem marcar até 30 produtos em um único Reel, transformando vídeos curtos em verdadeiras vitrines de e-commerce.
- Meta Creator Marketing Hub: O Creator Marketplace e o Partnership Ads Hub foram unificados. Agora é muito mais fácil encontrar influenciadores (tanto do Instagram quanto do Facebook) e transformar os conteúdos deles em Partnership Ads (anúncios de parceria) com poucos cliques.
4. Políticas Rigorosas e Marcação de IA
A era do “lança o anúncio e vê o que acontece” acabou. A Meta adotou uma postura de fiscalização preditiva:
- Transparência de IA Obrigatória: Qualquer criativo que utilize imagens, vozes ou elementos gerados ou significativamente modificados por IA deve conter um rótulo de “Gerado por IA”. A Meta usa seus próprios detectores para barrar anúncios que tentam burlar a regra.
- Leitura de Contexto Global: O robô de aprovação não lê mais apenas o texto do anúncio. Ele analisa a imagem, a legenda e a página de destino (Landing Page) como uma coisa só. Se houver divergência entre a promessa do anúncio e a página de destino, o anúncio é rejeitado.
5. Impacto nos Custos no Brasil
Para os anunciantes brasileiros, 2026 trouxe um choque de realidade fiscal. Devido às exigências de transparência da Reforma Tributária, impostos como PIS/Cofins e ISS — que antes eram absorvidos ou mascarados nos custos da Meta — agora são cobrados de forma explícita nas notas fiscais.
Isso significa que, na prática, o custo total das operações de mídia paga no Brasil sofreu um encarecimento percebido de cerca de 12%. O valor que você vê no Gerenciador de Anúncios é apenas o custo da mídia; a fatura final inclui a tributação, exigindo um planejamento de caixa muito mais rigoroso.